Quando falamos em manifestações patológicas nas construções, o foco geralmente recai sobre os danos estruturais ou estéticos. No entanto, há um tipo de dano que ultrapassa os limites da engenharia e afeta diretamente a saúde dos ocupantes: a presença de fungos, mofo e bolor.
Neste post, vamos explicar como esses agentes podem impactar a saúde da sua família, por que indicam falhas construtivas e quais medidas técnicas são necessárias para eliminar o problema de forma definitiva.
Por que mofo, fungos e bolor são considerados falhas construtivas?
O aparecimento de fungos, mofo e bolor em superfícies como paredes, tetos e forros não deve ser interpretado como um simples problema visual ou de higiene. Essas manifestações indicam uma falha no desempenho da edificação, principalmente relacionada ao controle de umidade — um dos requisitos fundamentais de habitabilidade previstos nas normas técnicas, como a ABNT NBR 15575 (Desempenho de Edificações Habitacionais).
Na prática, são sinais visíveis de que há processos de degradação em curso, normalmente relacionados à presença de umidade. Essa umidade, por sua vez, pode ter diferentes origens, como infiltrações, vazamentos, condensação ou umidade ascendente, criando um ambiente propício para a proliferação de microrganismos.
Se não for tratada, essa condição pode:
- Reduzir a durabilidade dos materiais de construção, acelerando processos de degradação como descolamento de revestimentos, eflorescências e trincas;
- Comprometer o conforto ambiental, interferindo no isolamento térmico e acústico dos ambientes afetados;
- Aumentar os custos com manutenção corretiva, caso o problema seja negligenciado;
- Gerar riscos à saúde dos ocupantes, por conta da liberação de esporos e micotoxinas no ar.
Portanto, o surgimento de mofo e bolor não é um problema superficial: trata-se de um problema técnico relevante, que precisa ser investigado e corrigido a partir de sua causa.
Riscos à saúde dos moradores: como fungos e mofo afetam o organismo
Do ponto de vista da saúde pública e sanitária, a presença de fungos, mofo e bolor em ambientes internos representa um fator de risco significativo, especialmente em residências com baixa ventilação natural e elevada umidade relativa do ar. Esses microrganismos são considerados agentes biológicos nocivos, conforme classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), e sua presença constante no ambiente pode desencadear reações alérgicas, inflamatórias e até tóxicas.
A exposição contínua a esses contaminantes pode causar ou agravar:
- Rinites e sinusites alérgicas: inflamações das vias aéreas superiores provocadas por resposta imune aos esporos fúngicos suspensos no ar;
- Asma e bronquite: doenças respiratórias crônicas que podem se intensificar com a inalação constante de partículas fúngicas;
- Dermatites: inflamações da pele, comuns em pessoas sensíveis ao contato com superfícies contaminadas;
- Conjuntivites e irritações nas mucosas: olhos, garganta e nariz são regiões sensíveis à presença de substâncias voláteis e partículas liberadas por fungos;
- Quadros respiratórios persistentes: em crianças, idosos e pessoas imunossuprimidas, a exposição contínua pode evoluir para infecções respiratórias frequentes e mais severas.
Além disso, alguns fungos são capazes de produzir micotoxinas, substâncias químicas tóxicas que podem ser inaladas, absorvidas pela pele ou ingeridas, provocando efeitos sistêmicos no organismo, como cefaleias, fadiga crônica e alterações neurológicas, dependendo do nível e tempo de exposição.
Ambientes com alta carga de umidade e contaminação fúngica não atendem aos requisitos de salubridade estabelecidos em normas como a ABNT NBR 15575 (Desempenho das Edificações Habitacionais) e diretrizes da ANVISA, comprometendo diretamente a qualidade do ar interno e a qualidade de vida dos moradores do imóvel.
Como identificar e combater o problema de forma técnica e eficaz?
Uma vez identificadas as manchas de mofo ou bolor, é fundamental compreender que elas são apenas o efeito visível de um problema construtivo mais profundo. Por isso, o primeiro e mais importante passo é a identificação precisa da origem da umidade, o que exige um diagnóstico técnico especializado.
Esse diagnóstico deve ser realizado por um engenheiro civil com conhecimento em engenharia diagnóstica, que, por meio de inspeção visual, uso de equipamentos específicos como câmeras térmicas, e eventualmente ensaios complementares, irá avaliar:
- A origem da umidade: se está relacionada à infiltração por chuvas, falhas de impermeabilização, vazamentos em tubulações embutidas, condensações ou umidade ascendente do solo;
- O caminho de migração da umidade: identificando como ela se propaga pelos elementos construtivos e onde se acumula;
- A profundidade e extensão da contaminação fúngica: para determinar a gravidade da situação e os materiais atingidos;
- O estado dos revestimentos e substratos: avaliando se há perda de aderência, eflorescências, desagregações ou descolamento;
- A eficiência (ou inexistência) de sistemas de impermeabilização e drenagem: especialmente em áreas como banheiros, cozinhas, áreas externas e fundações.
Com o diagnóstico concluído, a etapa seguinte é a eliminação da causa da umidade.
Atenção: o uso de soluções paliativas, como tintas antimofo, sprays ou desumidificadores portáteis não elimina a causa do problema. Esses métodos apenas mascaram os sintomas, e a manifestação patológica tende a retornar com maior intensidade ao longo do tempo, além de continuar colocando em risco a saúde dos moradores.
Conclusão
Fungos, mofo e bolor são alertas que o próprio imóvel oferece. Eles indicam que algo está errado com a edificação e que a saúde dos moradores pode estar em risco. Não se trata de um problema superficial, mas sim de uma patologia que exige avaliação técnica e solução definitiva.
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