Infiltrações, trincas, vazamentos e outros problemas construtivos são motivos frequentes de conflitos entre moradores, síndicos, construtoras e seguradoras. Mas quando um problema surge, a pergunta central costuma ser sempre a mesma: quem é responsável pelo conserto?
A resposta não pode ser baseada em achismos, suposições ou apenas na boa vontade das partes. É aí que entra a engenharia diagnóstica, com o papel fundamental de identificar tecnicamente as causas do problema e delimitar a responsabilidade de cada envolvido — protegendo a todos de injustiças e evitando despesas indevidas.
1. Por que a origem do problema importa?
Quando um dano aparece, ele pode ter diferentes causas. Entre as mais comuns:
- Erro de execução ou projeto (responsabilidade da construtora)
- Desgaste natural por falta de manutenção (responsabilidade do proprietário ou condomínio)
- Uso inadequado ou sobrecarga (responsabilidade do morador/usuário)
- Fatores externos e imprevisíveis (eventualmente cobertos pela seguradora)
O diagnóstico técnico permite determinar se o dano é consequência de vício construtivo, falta de manutenção, ação de terceiros ou evento externo (sinistro). Essa diferenciação é essencial para apontar corretamente quem deve arcar com os reparos.
2. Responsabilidade da construtora: vícios
A construtora pode ser responsabilizada se o problema decorrer de falha no projeto, má execução ou uso de materiais inadequados.
3. Responsabilidade do proprietário ou condomínio: manutenção negligenciada
Segundo a ABNT NBR 5674, cabe ao proprietário ou ao condomínio manter a edificação em condições de uso e segurança ao longo do tempo. Isso inclui:
- Limpeza e desobstrução de calhas e ralos
- Pintura e vedação de fachadas
- Reapertos e revisões em coberturas
- Manutenção periódica de instalações
Se o problema surgiu por negligência na manutenção, mesmo que exista um dano evidente, a responsabilidade não é da construtora — e sim do proprietário, morador ou gestor condominial.
4. Como o diagnóstico técnico define quem paga
A engenharia diagnóstica oferece uma análise técnica imparcial, com base em normas da ABNT e fundamentação legal, e responde com precisão:
- Qual é a anomalia observada?
- Qual é sua provável causa?
- O que motivou essa falha?
- De quem é a responsabilidade técnica e jurídica?
- Existe ou não cobertura pela seguradora?
Com isso, o laudo técnico permite que a responsabilização seja feita com justiça e respaldo técnico, evitando litígios desnecessários ou pagamentos indevidos.
Conclusão
Saber quem paga o conserto depende de uma análise técnica séria e imparcial. A engenharia diagnóstica é o elo entre a identificação do problema e a definição segura de responsabilidades — protegendo construtoras de acusações infundadas, síndicos de decisões equivocadas, seguradoras de cobranças indevidas e proprietários de prejuízos injustos.
Antes de buscar culpados, busque fatos técnicos e provas documentadas.