Corrosão de Armadura: O Inimigo Silencioso das Estruturas de Concreto 

  • Engegrout Eng.
  • 1st novembro 2023 3 dias atrás
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Entenda, de forma técnica e direta, como a corrosão das armaduras se inicia, quais as causas mais comuns, consequências para a estrutura, as normas que orientam as melhores práticas e principalmente o que pode ser feito para prevenir e monitorar esse processo que compromete a durabilidade das obras. 

O que é corrosão de armadura? 

A corrosão da armadura é um processo eletroquímico que degrada o aço embutido no concreto, causada pela ação de agentes agressivos como umidade, oxigênio e cloretos, que ultrapassam a proteção do cobrimento de concreto. Quando o aço coroe, os produtos de corrosão (ferrugem) ocupam volume muito maior que o aço original, gerando tensões internas que provocam fissuras, desplacamento do cobrimento e perda de aderência entre aço e concreto. Na prática, o problema começa silencioso e só é percebido quando os sinais visuais aparecem e muitas vezes já é tarde para soluções econômicas. 

Figura 1: Doenças do concreto armado 

Fonte: Eng. Matheus Borges 

Principais causas 

  • Carbonatação: CO₂ penetra nos poros do concreto e reduz o pH, eliminando a camada passivadora do aço. 
  • Penetração de cloretos: Íons cloreto (maresia, degelo, produtos químicos) originam corrosão localizada (pitting). 
  • Umidade e infiltrações: Água em contato contínuo com a armadura acelera o processo eletroquímico. 
  • Falhas construtivas: Cobrimento insuficiente, má compactação, fissuras e execução inadequada facilitam o acesso de agentes agressivos. 

Efeitos na estrutura 

Os efeitos da corrosão vão além do aspecto estético: impactam a segurança estrutural. Entre os sinais mais recorrentes estão fissuras longitudinais, desplacamento do concreto, perda de seção do aço e redução da capacidade resistente da estrutura. 

Pilar com desplacamento de concreto e ferrugem visívelDesplacamento e exposição de armadura: indicativos claros de corrosão avançada. 

O que dizem as normas 

No Brasil, a ABNT NBR 6118:2014 é a referência central para projeto de estruturas de concreto, tratando de cobrimento mínimo, classes de agressividade ambiental e requisitos de durabilidade. Outras normas complementares são a NBR 12655:2015 (controle do concreto) e a NBR 14931:2004 (execução). Respeitar essas normas é o primeiro passo para estruturas duráveis. 

O cobrimento mínimo do aço varia conforme a criticidade ambiental (ambientes internos, externos, costeiros). A imagem a seguir determina o cobrimento para estruturas de concreto armado com base na classe de agressividade ambiental, de acordo com a NBR 6118 o cobrimento para estruturas de concreto armado, deve a seguir: 

Figura 2: O cobrimento para estruturas de concreto armado. 

Fonte: NBR 6118 (2014) 

Estratégias de prevenção 

Prevenir é sempre mais eficiente e econômico do que reparar. As principais medidas são: 

  • Concreto de baixa permeabilidade: controlar relação água/cimento, utilizar aditivos e materiais poupa-poros. 
  • Cobrimento adequado: observar as tabelas da NBR 6118 conforme ambiente. 
  • Inibidores de corrosão e aditivos: solução para cenários específicos. 
  • Revestimentos e proteções das barras: epóxi, galvanização ou bainhas protetoras onde aplicável. 
  • Manutenção e inspeções periódicas: identificação precoce de infiltrações e fissuras evita avanço do processo. 

Boas práticas: do projeto à manutenção. 

Monitoramento e diagnóstico 

Existem métodos não-destrutivos e laboratoriais para detectar e quantificar corrosão: 

  • Ensaio de resistividade elétrica do concreto; 
  • Potencial de corrosão (half-cell potential); 
  • Profundidade de carbonatação (fenolftaleína); 
  • Extração de testemunhos e ensaios laboratoriais para teor de cloretos. 

Uma estratégia de monitoramento combinada (visual + instrumentação) oferece maior segurança para tomada de decisão sobre intervenções. 

Conclusão  

A corrosão de armadura é um problema que, quando negligenciado, pode evoluir silenciosamente até o colapso estrutural. Ela representa uma das principais causas de deterioração e redução da vida útil das estruturas de concreto armado no Brasil e no mundo. 

No entanto, trata-se de um fenômeno previsível e controlável. A adoção de boas práticas construtivas, o uso de materiais adequados e o cumprimento rigoroso das normas técnicas especialmente a ABNT NBR 6118 são fundamentais para prolongar a durabilidade das estruturas. 

Mais do que corrigir danos, prevenir é a solução mais econômica e eficiente. A corrosão de armadura não deve ser vista como um problema inevitável, mas como um alerta de que a engenharia precisa ser executada com técnica, planejamento e manutenção contínua. 

Aspectos-chave para gestores e engenheiros: 

  • Incorpore requisitos de durabilidade desde o projeto (escolha de materiais, cobrimento e especificações de concretagem). 
  • Exija controle tecnológico do concreto em obra (NBR 12655). 
  • Implemente planos de inspeção periódica e monitoramento (ensaios de potencial e resistividade). 
  • Priorize a prevenção: intervenções precoces são mais simples e econômicas do que reparos corretivos complexos. 

O concreto protege o aço, mas a durabilidade depende de projeto, execução e manutenção. Tratar a corrosão como uma questão contínua é a melhor estratégia para preservar estruturas por décadas. 

Referências (ABNT) 

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto de Estruturas de Concreto — Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2014. 
  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12655: Concreto de Cimento Portland — Preparo, Controle e Recebimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2015. 
  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14931: Execução de Estruturas de Concreto — Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. 
  1. MEHTA, P. K.; MONTEIRO, P. J. M. Concreto: Microestrutura, Propriedades e Materiais. 3. ed. São Paulo: IBRACON, 2014. 
  1. HELENE, Paulo R. L. Corrosão em Armaduras para Concreto Armado. São Paulo: PINI, 1993. 

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